19/01/2011

Beleza,

A construção do conceito de beleza e sua função social me parecem um tanto quanto controversas. A construção que serve ao mundo exterior pode custar muito caro ao intimo de cada um, sobretudo se ela exige sacrifício, contudo ela ainda pode ser inatingível.

Guiados pelo senso comum, olhos, cabelos, dentes, estrutura corporal e uma infinidade de outros motivos são alvo de constantes “adaptações” necessárias para atrair a atenção alheia. O ego é como o motor de um carro em movimento, necessita ser alimentado constantemente, desse modo, fazer-se notar é uma necessidade e um apelo à interação social.

Preocupa-me saber que a beleza em sua estrutura funcional, não seja acessível a todos e todas, de acordo com a gama de opções e custos que esse processo traz. Vejo o tema como uma preocupação recorrente que serve para delinear ainda mais as diferenças sociais.

A beleza que cada um almeja, faz surgir uma modelagem de corpos, adaptações estéticas e o alinhamento com as chamadas tendências de moda. Tento compreender o que seria da moda se esta se perpetuasse como uma verdade construtora das máximas intelectuais.

Gostaria de ler uma divagação de Platão sobre o uso da roupa de marca, a defesa de Aristóteles em prol do uso dos silicones e quem sabe Sócrates apoiando a cirurgia plástica. Parece-me que a pauta não se sustenta quando o tema é discutir a origem de tudo e sua causa e efeito.

Analisar a natureza humana na perspectiva da seleção natural já me parece difícil e ainda estabelecer uma conexão entre o belo e o feio, isso sim é pura injustiça. Já temos motivos demais para justificar nossas diferenças, minha preocupação é saber o que nos une.

A beleza de fato é uma construção da cultura onde estamos imersos, corpos e performances são reflexos do que conseguimos sintetizar em nossas verdades existenciais. Os valores que cada um agrega o diferenciam da massa, e como prega a indústria da cultura, o diferente é ser igual.

O discurso que nos motiva a ingressar na busca incessante pela beleza é o mesmo que nos coloca frente a frente com nossas insatisfações, medos e sem dúvida desencadeia a infelicidade. Preocupar-se com a opinião alheia é uma demonstração de nossa fragilidade.

Prefiro enxergar o universo particular de cada pessoa que cruza o meu caminho, assim consigo sentir a emoção de partilhar aquilo que não é comum aos olhos alheios. Sinto-me um desbravador de gente, deixo a dica para quem quer agregar pessoas ao longo da vida.

Um comentário:

  1. Sócrates era o mais "feio" dos filósofos gregos de sua época. Era também um dos mais admirados e desejados.

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