19/01/2011

Desafios,

Duas mulheres se enfrentam em uma batalha acirrada para a Presidência de um país, que outrora perseguiu e oprimiu pessoas com sua ditadura militar, serviu de exemplo ao mundo como o “país da crise econômica” e ainda elegeu um “analfabeto” a condução do titã sul-americano.

Parece muita informação, para ser tema na agenda de debates da sociedade brasileira, ainda viciada em assistir o reality show onde o grande irmão é de fato um sacana e o amor é subjetivado e escondido debaixo de um edredom. Não, eu afirmo, a quebra de paradigmas é o grande irmão de nosso progresso.

Não discuto apenas as relações de gênero que a irradiante candidata vermelha e sua peleja com a ex-companheira, agora trajando o verde (que ficou muito elegante por sinal) ajudaram a quebrar. Minha inquietação está no que cada grupo representa e nos valores que cada uma personificava naquele momento.

Há bem pouco tempo a bola da vez era o pré-sal, onde está ele agora? Quem discute?

A Amazônia e seus problemas históricos de ocupação mais uma vez foram adormecidos, a nova pauta é saber que surpresas o nordeste reserva a nossa pátria mãe gentil. O capitalismo não é novidade, assim como as inúmeras formas de violação de direitos que nosso país assiste em silêncio.

O twitter e seus escândalos com a xenofobia, com a homofobia e outras fobias que assolam nossos brasilianos, retrato das redes sociais ainda em ebulição. Estas nos trarão surpresas desagradáveis ou não, contudo uma boa prova que nosso país ainda é desunificado, provinciano eu diria.

Pergunto-me, quais desafios estão por vir? Temos agora a chance de crescer no debate sobre o Brasil que queremos, e que podemos juntos construir. A ascensão do nordeste é mérito do homem cuja sabedoria nenhuma academia poderia projetar, fruto talvez do amadurecimento de uma classe social esquecida e retratada na pele do cabra-da-peste que resignificou a expressão do “ser brasileiro”.

O desafio de vencer após a glória de um “mito vermelho” é ainda maior. Temos uma Presidenta, mas, ainda muitas dívidas históricas com camadas da população ainda fragilizadas pelas falta de educação e políticas de inclusão reais.

Não sei quantas bolsas ou planos serão necessários para redesenhar este país, com o sonho de igualdade que motivou a vitória nas urnas. Não sei quantos escândalos irão virar notícia até as novas eleições, mas espero assistir de perto esta reforma.

Acredito na indicação que nos foi dada pelo maior líder de nossa história, mas, o trabalho é a maior prova de dignidade e reconhecimento que nossa “mãe” pode nos dar. Temos o verde que ainda permanece vivo no debate e na militância, a nossa “Tia”.

Não acredito que ofensas e trocas de farpas ajudem nosso Brasil tão nobre e hoje digno a crescer. O debate nivelado e com foco no bem-estar são minha bandeira de luta.

Acredito no controle social e na preservação do debate com a seriedade que nos trará a consolidação de um Brasil mais justo. Não acredito em cores, mas, na beleza da combinação entre elas.

Quem aceita o desafio de acompanhar nossa pátria crescer? Aqui estou querendo ver onde vai dar essa caminhada rumo à arrumação da casa.

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