27/01/2011

Afirmação,

O pensamento de Shakespeare nos coloca diante de um dilema moral “ser ou não ser”. Pergunto-me, quantas pessoas neste instante são provocadas a “ser” ou “responder” a uma pergunta que as expõe ao mundo, me refiro à identidade sexual de cada homem ou mulher.

Eu os apresento ao mundo da normatividade (normal = aquele que segue as normas). Certamente eu sou normal e anormal ao mesmo tempo, busco seguir as regras, mas o jeitinho brasileiro me coloca no campo da anormalidade, há sempre um modo de burlar a norma, típico de nossa cultura.

Há bem pouco tempo, normal era ver uma briga de casal e achar comum que a mulher apanhasse em silêncio, foi preciso uma mulher ser vitimada e lutar para tornar público o direito das mulheres serem protegidas pelo estado (Lei Maria da Penha).

Normal ainda é ver meninos e meninas sendo explorados cada vez mais cedo nas estradas brasileiras sem que o senso comum se posicione, o problema social é de alguém, mas que ninguém se preocupa em saber quem é. A bola da vez é ver cenas de agressão contra homossexuais na TV.

Como conter o julgamento alheio? Vejo nas ruas o comentário sobre um rapaz que fez uma cirurgia e virou mulher, “uma aberração da natureza”, ”deus castiga”, ”era pra ser prezo” quando o fato entra na caixinha da verdade (a TV) o caso ganha mais repercussão.

Não pude deixar de notar a estranheza com que a sociedade brasileira ainda trata a identidade sexual das pessoas como um tema novo, de fato um tabu social. Não é de hoje que a polêmica é abordada, as maiores instituições sociais, sobretudo as de caráter religioso demonstram grande repulsão.

Há uma década, o mundo concebia a sexualidade em: heterossexualidade e homossexualismo (sufixo que faz referência a patologia). Graças ao esforço de pesquisadores o homossexualismo se transformou em homossexualidade.

O problema ainda não havia sido resolvido, nascia nesse momento à preocupação de tratar as divisões que a conduta “anormal” dos homossexuais trouxe à tona. Travestis, bissexuais, gays, lésbicas eram reduzidos a esta mesma referência e os avanços da medicina possibilitaram ainda o surgimento da transexual idade.

Como tratar na ótica do direito a questão da orientação sexual de cada individual sem violar a opinião arbitrária do senso comum? Desafio que os especialistas em políticas públicas ainda precisam compreender.

De fato a complexidade dos paradigmas da sexualidade humana ainda irão se apoiar no pensamento Freudiano para tentar justificar as multifaces desse tema, entretanto a violência causada contra os seres humanos necessita de uma medida muito simples, aplicação do código civil.

Meu questionamento é querer encontrar uma saída para discutir as nuances intrínsecas as relações de gênero e sua interface com as políticas públicas. Sei que o desafio é novo para muito, mas, para quem é vítima dele é um sonho secular.

Para saber mais...

Princípios de Yogyakarta – Discussão Mundial sobre a abordagem das questões de gênero e orientação sexual pelos governos ao redor do mundo.

http://www.clam.org.br/pdf/principios_de_yogyakarta.pdf

5 comentários:

  1. Muito bom ter abordado tal tema, como você mesmo disse: Parece ser um problema ainda novo para enfrentarmos, no entanto muitos já sofrem com ele há tempo.
    Não podemos esquecer do lado da religião, o que é bastante complicado, pois muitas se dizem livres de preconceitos, mas todos têm que seguir seus padrões, então onde fica o livre arbítrio? Ninguém nesse mundo deixa sua essência quando escolhe sua sexualidade, ao contrário do que se pensa: a encontra.
    Atos de covardia, de puro desamor. Piores são aqueles que julgam, que matam, agridem e pensam que por serem como a sociedade espera que sejam, eles têm o direito de fazer o mesmo com aqueles que foram corajosos e aceitaram sua essência de acordo com seus desejos.
    A escolha do que amamos não vai contra as leis de Deus, pois ele não impôs que fôssemos homens ou mulheres de acordo com nosso corpo. Ele pediu atos mais simples, nós desse mundo que fazemos tudo mais complicado.

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  2. Muito bem colocado o tema... apesar de vivermos em um mundo q se diz "moderninho", a anormalidade alheia é algo q as pessoas sempre enchem a boca para falar.. talvez seja uma forma de se sentirem mais normais..
    bjo grande! continue escrevendo

    Camila Galvão

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  3. Realmente, uma ótima reflexão acerca do tema 'sexualidade'.

    (Samanth)

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  4. Ninguém é normal nesse mundo, quem se acha normal deve ser a pessoa mais chata, excêntrica e prepotente que existe.

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