27/01/2011

Nostalgia,

Nossa mente é um baú, cujo acervo seletivo, conta nossa trajetória e o misto das sensações que somos capazes de eternizar. Boas ou más, as recordações remontam aos poucos os nossos segredos e nossos anseios.

Nossa infância sempre nos remete aos momentos dos quais sentimos saudade, sobretudo os de lazer e entretenimento. Os desenhos animados, as roupas e as brincadeiras sempre serviram como referência para uma geração.

Falando nisso...

Lembro das histórias que as pessoas contavam, onde nem tudo eram flores. Trechos onde a voz dos mais velhos sussurrava para falar de certos fatos.

Há práticas que não conseguia entender, embora para a época as pessoas achassem normais. Hoje, com o entendimento sobre a complexa arrumação de social do Brasil, nos ajuda a elucidar certos fatos.

Ainda pequeno, tinha a curiosidade de saber por que um homem que tinha a idade de ser pai de uma menina poderia fazer dela sua esposa. O fato era comum, embora os homens mais velhos fossem viúvos e com filhas da idade da menina que ela pegava para “criar”.

Por ser muito jovem, não entendia bem o assunto, o que hoje já tratamos como violação de direitos, legitimado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. A “bondade” escondia na verdade um desejo mais que fraternal, fazia com que meninas amadurecessem de maneira precoce, transformando-as em mães, donas de casa e “mulheres” sem que a elas fosse dada a escolha.

Por sermos conservadores, heteronomativos e ainda paternalistas, sempre acreditamos que o eixo de controle do bem-estar é papel do homem, senhor da verdade e provedor da vida. Por traz dessa cortina de ilusão, nossas jovens cresciam sem o conhecimento e a liberdade para desenvolver uma identidade feminina, que pudesse dialogar de igual para igual.

Os mitos e preconceitos, sempre funcionaram como ferramentas para a coerção das pessoas, é comum exaltar a uns e diminuir a outros. Sobre essa plêiade estão às relações sexistas, pautadas na superioridade de um gênero sobre o outro, inclusive como instrumento cerceador, instrumentalizador da cultura de violência.

É fácil perceber essa estrutura quando na história das civilizações antigas, se percebe o personagem feminino sempre narrado como detentor da maldade e cujo papel era iludir o homem. A princípio Dalila, Cleópatra e tantas outras... O que dizer das Mulheres de Athenas?

O fruto do pecado, a maçã, até hoje exaltada como fruto da perdição, foi comida e oferecida por quem? Ah! É pedir demais de um personagem feito de uma costela.

Fico feliz em saber que todos os homens e mulheres nascem livres, embora a verdade que cada cultura professa logo possa lhe cecear esse direito supostamente universal, declarado inclusive como humano.

Em plena revolução e reorganização da vida no globo terrestre, os papéis sociais, principalmente os que se baseiam na equidade de gênero, se apresentam como um desafio para realinhar o discurso e as práticas acerca do poder produtivo que nos rege. Está em questão a hegemonia pelo poder.

A princípio a história da humanidade é contabilizada a partir das grandes guerras, grandes acontecimentos históricos que justificaram o progresso de uma espécie que se autodestrói aos poucos. Se misturássemos ao longo dos séculos todo o sangue derramado as águas do mar, certamente teríamos um mar “encarnado”.

Gostaria que Lavoisier pudesse nos definir como fez com o “nada se cria tudo se transforma”. Nossas práticas foram criadas e mantidas por muitas gerações.

A verdadeira evolução está em dar um novo sentido ao progresso humano, o consumo e os bens materiais e a ânsia pelo poder nos tornou distantes dos princípios naturais. Não precisamos de um gênero soberano, mas, de gêneros (não genéricos, mas, generosos).

2 comentários:

  1. Danilo, muito bom mesmo. Isso é que é senso crítico.

    ResponderExcluir
  2. Como entender o sofrimento?
    Por que aqueles que sofrem são bem-aventurados por Jesus?
    Para que acumular riquezas?
    O que fazemos aqui?
    E o papel do homem? Igualdade de direitos?
    A capa, o corpo? Enfim...

    -

    São bem-aventurados os aflitos porque estão passando por provações, penosos são aqueles que sofrem e apenas reclamam, mas aqueles que sofrem e entendem que o sofrimento é necessário para lutar, estarão acima das preocupações supérfluas desse mundo.
    Acumular riquezas... Vives bem? Algo te falta? É de fato necessário almejar algo que perderás em poucas décadas? A verdadeira riqueza pertence à Deus e é de graça. O coração das almas só se acalmarão quando perceberem que o amor é o verdadeiro bem que pordemos obter e só a humildade pode nos elevar.
    Homem/ mulher... Apenas uma capa. É simples entender de tal forma: Grandes filósofos e pensadores de séculos passados, você ouviu falar de alguma mulher? Éramos extintas por acaso? É possível igualar tal situação com o preconceito atual de raças e sexualidade. Mas o progresso está chegando, a mulher é reconhecida e trabalha firme assim como o homem também faz.
    Essa geração é abençoada, mas temos que ser fortes para assistir a luz entrar em todos desse mundo.
    DANILO ADOREI ESSE TEXTO, SEU PENSAMENTO É PERFEITO. Que Deus te abençoe e te dê sempre a inspiração necessária para tocar nossos corações e abrir os olhos para a verdadeira essência da vida.
    Beijos.

    ResponderExcluir